Público Eleições dos EUA A lição de democracia de McCain e Bush Sr. que Trump deveria aprender

Donald Trump ainda não aceita a sua derrota nas eleições presidenciais dos EUA. O ainda presidente acusa sem provas o seu rival Joe Biden de “roubar” as eleições e afirma que o resultado é “uma grande fraude”. A atitude de Trump não é apenas um ataque gratuito e irresponsável ao sistema democrático, mas também revela o doloroso perdedor que o presidente carrega dentro.

Uma atitude que contrasta marcadamente com a de outros candidatos republicanos que foram derrotados nas eleições. A comunicação social e as redes sociais dos EUA destacam, acima de tudo, o comportamento exibido na noite de eleições pelos dois últimos candidatos republicanos que perderam para os Democratas, John McCain e George Bush Sr. Os dois aceitaram a sua derrota na noite de eleições em discursos que são agora recordados pela sua elegância, bem como pela confiança que demonstraram no sistema democrático.

McCain foi o mais desportivo em aceitar a sua derrota. “O povo americano falou e falou claramente”, disse McCain em 2008. A sua graça foi tal que chegou ao ponto de pedir aos seus apoiantes que parassem de vaiar quando mencionou Barack Obama no seu discurso. “Tive a honra de chamar o Senador Barack Obama para o felicitar por ter sido eleito presidente do país que ambos amamos. O seu sucesso merece o meu respeito pela sua habilidade e perseverança”, disse McCain.

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Discurso do McCain para felicitar #Obama⦠em meio a vaia geral em 2008 <

– mikel ayestaran (@mikelayestaran) 6 de Novembro, 2020

“Reconheço o significado especial desta eleição para os afro-americanos e o orgulho que devem sentir esta noite”, acrescentou o candidato republicano, que morreu em 2018. “A América é hoje um mundo afastado do fanatismo cruel do passado. Não há maior prova disto do que a eleição de um afro-americano para a presidência dos Estados Unidos”, concluiu McCain.

George H. Bush, pai do outro George Bush, foi também conciliador após a sua derrota eleitoral de 1992 nas mãos de Bill Clinton. No seu caso, havia mais motivos para raiva, uma vez que era então o presidente em exercício e aspirava a um segundo mandato, como Trump agora. Mas perdeu-o e aceitou-o com toda a desportividade do mundo: “O povo falou e nós respeitamos a majestade do sistema democrático. Acabei de ligar a Clinton para a felicitar e desejar-lhe felicidades na Casa Branca. A América deve estar sempre em primeiro lugar e apoiaremos o novo presidente”

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ð George Bush Sr. foi o último presidente a não ser reeleito nos EUA.
Este foi o seu discurso na noite de eleições de 1992 concedendo a derrota a Clinton: “Respeitamos a majestade do sistema democrático”
Donald Trump, em 2020: “Parem a recontagem dos votos!” pic.twitter.com/LinBHdjaZt

– Cadena SER (@La_SER) 5 de Novembro de 2020

Duas atitudes e dois discursos que se movem nos antípodas do que Trump fez e do que representa, que na terça-feira se proclamou vencedor das eleições quando as urnas indicam o contrário. “Isto é uma fraude para o povo americano, é uma vergonha para o nosso país. Ganhámos esta eleição”, disse o ainda presidente, que não parece disposto a deixar definitivamente a Casa Branca.

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