Pawlina. Texto de Histologia e Atlas. 8 ed

lisossomas primários e secundários provaram ter pouco declive vali, uma vez que novos dados de investigação proporcionaram uma melhor compreensão dos detalhes dos mecanismos da cremação proteica e do destino das vesículas endocíticas. É agora aceite que os lisossomas são formados através de uma série complexa de mecanismos que convergem em endossomas tardios, que se transformam em lisossomas. Estas vias são responsáveis pela entrega dirigida de enzimas lisossómicas neosintetizadas e proteínas de membrana lisossómica estruturada a endossomas tardios. Como discutido acima, as enzimas lisossómicas são sintetizadas no RER e classificadas no aparelho Golgi de acordo com a sua capacidade de ligar receptores M-6-P (ver p. 43). Os lisossomas têm uma única membrana, que é resistente à digestão hidrolítica que ocorre no seu lúmen. Os lisossomas contêm um agregado de enzimas hidrolíticas e estão rodeados por uma única membrana resistente à hidrólise das suas próprias enzimas ( g. 2-19). A membrana lisossomal tem uma estrutura de fosfolípidos invulgar com colesterol e um lípido único chamado ácido lisobifosfatídico. A maioria das proteínas estruturais da membrana lisossomal são classificadas em proteínas de membrana associada ao lisossoma (LAMP), glicoproteínas de membrana lisossomal (LGP), e proteínas de membrana integral lisossomal (LIMP). Representam mais de 50% do total das proteínas da membrana lisossomal e são altamente coladas – aconchegantes na superfície luminal. As moléculas de sacarídeos cobrem quase toda a superfície luminal destas proteínas, protegendo-as da digestão por enzimas hidrolíticas. Os ácidos lisobifosfatídicos dentro da membrana lisossomal podem desempenhar um papel importante na restrição da actividade das enzimas hidrolíticas dirigidas contra a membrana. A mesma fami-

lia de proteínas de membrana também é detectada em endossomas tardios. Além disso, lisossomas e endossomas tardios contêm bombas de prótons ( H + ) que transportam iões H + para o lúmen lisossómico, o que mantém um pH baixo ( ~ 4,7). A membrana lisossomal também contém proteínas transportadoras que transportam os produtos nal de digestão (aminoácidos, sacarídeos, nucleótidos) para o citoplasma, onde são utilizados nos processos sintéticos da célula ou sofrem exocitose. Alguns medicamentos podem afectar a função lisossomal. Por exemplo, a cloroquina , um medicamento utilizado no tratamento e prevenção da malária, é um lisossomotropico que se acumula em lisossomas. Eleva o pH do conteúdo lisossómico, inactivando assim muitas enzimas lisossómicas. A acção da cloroquina nos lisossomas é a causa da sua actividade antimalárica; o fármaco concentra-se no vacúolo digestivo ácido do parasita malárico (Plasmodium falciparum) e interfere com os processos digestivos, acabando por matá-lo. As proteínas da membrana lisossomal são sintetizadas no RER e têm um sinal específico que as direcciona para o lisossoma. Como já mencionado, o transporte intracelular que transporta muitas enzimas lisossómicas solúveis para endossomas tardios e lisossomas envolve o sinal M-6-P e o seu receptor. Todas as proteínas de membrana destinadas a lisossomas (e endossomas tardios) são sintetizadas no RER e transportadas para o aparelho Golgi para triagem. No entanto, não contêm os sinais M-6-P e devem ser transportados para lisossomas por um mecanismo diferente. O sinal de reconhecimento ou importação de proteínas de membrana integrativa consiste num domínio citoplasmático terminal C curto, que é reconhecido pela adaptação de complexos proteicos e embalado em vesículas revestidas de clatrina. Estas proteínas chegam ao seu destino por um de dois mecanismos: – Na via do segredo constitutivo, os LIMPs deixam o aparelho de Golgi em vesículas revestidas e são entregues à superfície ce- lular. A partir daí, são incorporados por endocitose e, através dos compartimentos endossómicos precoce e tardio, acabam por atingir os lisossomas ( g. 2-20). – No caminho secreto de vesículas revestidas derivadas de Golgi, os PMLs, após classificação e embalagem, deixam o aparelho de Golgi em vesículas revestidas de clatrina (ver g. 2-20). Estas vesículas de transporte viajam e fundem-se com endossomas tardios como resultado da interacção entre componentes v-SNARE específicos do endossoma e proteínas de acoplamento t-SNARE (ver p. 41). Três mecanismos diferentes entregam material para a digestão intracelular em lisossomas. Dependendo da sua natureza, o material para a digestão dentro dos lisossomas chega por diferentes mecanismos ( g. 2-21). No processo de digestão, a maioria do material digerido provém de processos endocíticos; contudo, a célula também utiliza lisossomas para digerir as suas próprias partes obsoletas, organelas não funcionais, e moléculas desnecessárias. Existem três mecanismos para a digestão: – Grandes partículas extracelulares, tais como bactérias, detritos celulares, e outros materiais estranhos, são engolfadas pelo processo de fagocitose. Um fagosoma , formado como material é internalizado no citoplasma, recebe enzimas hidrolíticas para se tornar um endossoma tardio, que amadurece num lisossoma.

CAPÍTULO 2. CELL CYTOPLASM ■ MEMBRANOSYL ORGANS Proteins

Polissacarídeos

H

Proteases

H

p>H

H

p>H

p>Glucosidases

H

p>Proteínas de transporte

Lipases e Fosfolípidos

Lípidos

H Superfície luminosa glicosilada AMOSTRA H Ácidos nucleicos Nucleases e enzimas relacionadas Fosfatases Fosfatos ligados organicamente Aryl- sulfatases Sulfatos ligados organicamente Bomba H H Proton Membrana impermeável às enzimas; Contém as proteínas de membrana específicas do lisossoma LAMP, LIMP, e LGP

FIGURA 2-19. Diagrama de um lisossoma. Este diagrama mostra enzimas lisossómicas seleccionadas que residem num lisossoma e os seus respectivos substratos. Também são apresentadas as principais proteínas específicas da membrana lisossomal, bem como algumas outras proteínas relacionadas com o transporte da membrana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *