Mecanismo


Mecanismo

Concepção do mundo que explica o desenvolvimento da natureza e da sociedade com as leis da forma mecânica de movimento da matéria, que são qualificadas como universais e se estendem a todas as variedades de movimento material. Historicamente, o aparecimento e a difusão do mecanicismo foram associados às realizações da mecânica clássica nos séculos 17-18 (Galileu, Newton e outros). A mecânica clássica elaborou noções específicas de matéria, movimento, espaço e tempo. Estas concepções, bem como o mecanicismo como um todo, apesar da sua limitação pelo nível de desenvolvimento das ciências naturais dos séculos XVII-XVIII, desempenharam um papel positivo no progresso da ciência e da filosofia. Proporcionaram uma compreensão científica natural de muitos fenómenos da natureza, despojando-os de interpretações mitológicas e escolásticas-religiosas. A absolutização das leis da mecânica levou à criação de um quadro mecanicista do mundo, que representa todo o Universo (dos átomos aos planetas) como um sistema mecânico fechado, composto de elementos imutáveis, movendo-se de acordo com as leis da mecânica clássica. A este nível de desenvolvimento da ciência correspondeu a forma metafísica de pensar (Metafísica). Mas o progresso contínuo da ciência revelou a limitação do mecanismo. As tentativas de explicar os processos electromagnéticos, químicos, biológicos e, ainda mais, sociais do ponto de vista da mecânica falharam inevitavelmente. Os avanços das ciências naturais nos séculos XIX e XX destruíram o quadro mecanicista do mundo, exigindo insistentemente uma nova explicação dialéctico-materialista dos processos naturais e sociais. Assim, o regresso ao mecanismo sob qualquer forma torna-se um obstáculo no caminho do desenvolvimento progressivo do conhecimento científico. No sentido lato do termo, mecanicismo é a identificação abstracta da forma superior de movimento da matéria com a forma inferior (por exemplo, do social com o biológico, deste último com a física ou a química, &c.).

Dicionário de Filosofia – 1984:281-282

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