Eficácia da intervenção com terapia baseada na mentalização em pessoas diagnosticadas com transtorno de personalidade limítrofe – Psicoevidência

Question:

A intervenção com terapia baseada na mentalização é eficaz em pessoas diagnosticadas com transtorno de personalidade limítrofe?

População: pessoas diagnosticadas com distúrbio de personalidade limítrofe.
Intervenção: terapia baseada na mentalização (MBT)
Resultados: melhoria do estado geral dos pacientes.

ESTRATÉGIA DE PESQUISA:

Foi realizada uma pesquisa em TRPIDATABASE e COCHRANE com o descritor “mentalization and bordereline”. Foram identificados três artigos relacionados com a questão colocada.

SUMÁRIO DE EVIDÊNCIA:

Um primeiro ensaio clínico aleatório compara a terapia baseada na mentalização (MBT) com a terapia baseada em grupos de apoio. Embora se tenham verificado mudanças significativas em ambos os grupos em termos de função geral, depressão, função social, e número de critérios de diagnóstico da BPD, observou-se uma maior tendência para a recuperação no grupo MBT. O estudo propõe que tanto o MBT como a terapia de grupo de apoio são altamente eficazes quando conduzidos por pessoal psicodinâmico bem treinado, clinicamente experiente e organizado (1)

Num segundo ensaio clínico aleatório com uma amostra de 134 pacientes com DPB, comparando a terapia baseada na mentalização com a gestão clínica estruturada, observou-se que embora tenha havido melhorias consideráveis em ambos os grupos, os pacientes foram aleatorizados ao MBT, mostrou uma maior diminuição tanto em problemas clinicamente significativos como auto-percebidos, incluindo diminuição da hospitalização e tentativas de suicídio (2)

Num terceiro estudo prospectivo de coorte longitudinal de 41 pacientes diagnosticados com DPB 5 anos após terem recebido tratamento completo com MBT, observou-se que após 5 anos, estes pacientes ainda mostraram superioridade na melhoria clínica em relação àqueles que receberam tratamento como habitualmente. Estas melhorias estão relacionadas com tentativas de suicídio, critérios de diagnóstico, utilização de serviços, medicação, função global e estado ocupacional. O estudo conclui que embora os pacientes submetidos a MBT continuem a ter melhores resultados do que aqueles que receberam tratamento como habitualmente, a função social em ambos os grupos permanece reduzida (3)

REFERÊNCIAS:

(1) Jørgensen CR, Freund C, Bøye R, Jordet H, Andersen D, Kjølbye M. Resultado de psicoterapia baseada na mentalização e de apoio em pacientes com distúrbio de personalidade limítrofe: um ensaio aleatório. Acta Psychiatr Scand. 2012 Ago 17. doi: 10.1111/j.1600-0447.2012.01923.x.

(2) Bateman A, Fonagy P. Ensaio controlado aleatório de tratamento baseado em mentalização ambulatória versus gestão clínica estruturada para transtorno de personalidade limítrofe. Am J Psychiatry. 2009 Dez;166(12):1355-64. Epub 2009 Out 15.

(3) Bateman A, Fonagy P. 8 anos de seguimento de pacientes tratados por distúrbio de personalidade limítrofe: tratamento baseado na mentalização versus tratamento como habitualmente. Am J Psychiatry. 2008 Maio;165(5):631-8. Epub 2008 Mar 17.

CONCLUSÕES:

Após a revisão pode concluir-se que há provas para recomendar o uso de MBT em distúrbios de personalidade limítrofes versus outras terapias que parecem ser menos eficazes. Mesmo assim, o número de estudos encontrados parece pequeno e as amostras que utilizam são pequenas, pelo que podem não ser de grande valor. Apesar disto, MBT é relativamente pouco exigente em termos de formação, que pode ser útil para aplicação em serviços de saúde mental.

EVALUATION OF THE EVIDENCE:

EVALUATION OF THE EVIDENCE:

iv

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