ConexiónCity (Português)

A importância que o líder dá à integridade na sua vida ajuda a conhecer o carácter do líder como uma pessoa de confiança, qualificada para a liderança. Porque é que certas pessoas na liderança não são pessoas autênticas? Porque é que parecem espirituais? Possivelmente, esse é o maior problema com a liderança: a falta de carácter íntegro.

Carácter é básico para todas as decisões éticas. Quem é determina o que faz. Jesus deu importância a essa verdade nos seus ensinamentos (Mt 5-7). Assim, o carácter é o início da natureza moral interior. O carácter, uma vez que é difícil de definir, é melhor compreendido a partir de como é formado e como funciona na vida ética cristã. Como alguém disse “o que somos, é o determinante último do que fazemos”

1. Quão pura deve ser a liderança cristã? (Título 1.59)

Integridade é perceptível naqueles que a praticam, e ainda mais na liderança cristã! Liderança de integridade, nota-se pela solidez e transparência.

A importância que o líder dá à integridade na sua vida ajuda a conhecer o seu carácter de pessoa de confiança, qualificada para a liderança. Porque é que certas pessoas na liderança não são pessoas autênticas? Porque é que parecem ser espirituais? Possivelmente, esse é o maior problema na liderança: a falta de carácter recto.

Quando uma pessoa peca e pode viver com isso, deixa de estar em integridade. A integridade implica confessar o pecado e afastar-se dele e não fingir que nada aconteceu. Isso é pureza.

Mas, claro que há um ponto dentro da gama do pecado onde ocorre a desqualificação para a liderança na igreja.

Até que ponto a atitude de uma pessoa em relação ao pecado conta para tal desqualificação?

Paul diz, “…para que não seja um arauto dos outros, eu próprio não venha a ser cortado”.

Paul diz, “…para que não seja um arauto dos outros, eu próprio não venha a ser cortado. Estou convencido de que certos pecados revelam uma tal quebra de integridade que a pessoa que caiu é desqualificada para nunca mais exercer uma liderança proeminente.

Não acredito que actos repetitivos como a imoralidade sexual ou o encobrimento sejam apenas uma questão de pecado. Penso que revelam uma falha de carácter. As pessoas dizem: “Bem, os pecados não são perdoados?”

Obviamente que são. Mas penso que já não é uma questão de perdão; a tal pessoa falta a substância necessária para aquele escritório.

p>A única razão pela qual me posso sentar nesta sala, vestido e no meu perfeito juízo é que recebi o perdão absoluto de Jesus Cristo. Mas para pessoas em liderança proeminente há requisitos ainda mais rigorosos. Como diz Tiago, seremos julgados “sem misericórdia”

Mas e o Rei David no Antigo Testamento?

Esse incidente é o único caso em que as Escrituras registam um líder culpado de comportamento imoral que foi autorizado a permanecer na mesma liderança proeminente. Mas após o incidente com Betsabá, a sua vida ficou azeda. Sim, ele foi confrontado e saiu limpo; contudo, perdeu no campo de batalha, e a sua família enlouqueceu. Nunca mais atingiu o auge a que tinha chegado uma vez. Isso aflige-me.

Também sou assombrado pelo facto de as Escrituras não registarem o caso de qualquer outra pessoa com liderança proeminente que tenha cometido pecado sexual, e depois foi-me permitido continuar nessa posição.

A quem é um líder responsável?

No meu caso, seleccionei cuidadosamente três homens com os quais me encontro periodicamente. Nas nossas reuniões há confiança, objectividade e liberdade. O objectivo do encontro não é apenas o de nos concentrarmos no pecado, mas também o de sermos amigos. Não só é benéfico para mim, mas também para os outros.

Sou geralmente responsável perante o meu pessoal e, oficialmente, perante o nosso conselho de anciãos, embora quanto maior é o conselho de anciãos, mais difícil se torna gerir a situação. Para alguns membros da direcção não teria nada a esconder, mas não tenho a mesma confiança com os outros.

Certo, sou também responsável perante toda a minha família, eles têm a liberdade de poder dirigir-se a qualquer área ou oferecer conselhos. Admito que ocasionalmente há coisas dolorosas para ouvir, mas estar no ministério não me exonera de falar em minha casa; de facto, é algo que tem de ser feito.

Na selecção das pessoas a quem seremos responsáveis, não é uma tentação escolher aqueles que têm os nossos mesmos pontos de vista?

A qualidade do carácter do líder é evidente na escolha daqueles que o ajudam. Por vezes são escolhidas pessoas que são demasiado condescendentes para os seus superiores. Concordo plenamente. Adoro ouvir as pessoas dizerem sim a tudo. Mas preciso de pessoas que me digam como realmente é.

2. Qual é o meu carácter como líder? (1 Tim 3)

Em 1 Timóteo 3 o apóstolo Paulo diz-nos os esforços mínimos a fazer e as qualidades de carácter a ter para a liderança da igreja. Mas há outras características, muitas vezes ignoradas, que os líderes eclesiásticos eficazes partilham. Aqui estão oito destas características, pelas quais podemos avaliar o nosso serviço na igreja:

a. Posso tratar correctamente a informação? Deve mostrar sabedoria e integridade. O que qualquer líder deve assegurar é a sua capacidade de lidar correctamente com informações confidenciais.

b. Posso adiar o julgamento? Evite fazer julgamentos de ânimo leve. Deve tomar as suas decisões apenas com base em argumentos sólidos e provas.

c. Estou disposto a ser guiado por Deus? Para além de ouvir a voz de Deus, é preciso prestar atenção a pessoas sábias. Uma atitude de obediência é fundamental.

d. Posso confrontar adequadamente? Ninguém gosta de conflitos. Mas para atacar com integridade, os membros do conselho devem estar dispostos a confrontar até um dos seus. Raiva desenfreada, engano absoluto, palavras ofensivas são algumas das coisas que exigem um desafio amoroso. Os dois extremos são: evitar conflitos ou agir como exterminador. Em que posição se encontra na linha?

e. Estou de mente aberta? A tradição da Igreja dá vida; o tradicionalismo ameaça a vida. O conforto do familiar também pode asfixiar o avanço da igreja. Acha que os melhores dias da sua igreja estão por trás disso? Ou está optimista quanto ao seu futuro?

f. Tenho um temperamento “can-do”? Parece que algumas pessoas são “abençoadas” com pessimismo. As pessoas com uma atitude de “sim, eu posso” são diferentes. Em vez de dizerem “Porquê nós” como primeira resposta, dizem: “Porque não?”

Como se responde a novas ideias?

g. Estou disposto a assumir a culpa? Os líderes piedosos assumem a responsabilidade pelos seus pecados. Eles são humanos, e sabem-no. Eles não são como aquela pessoa que disse: “A única vez que me enganei foi quando pensei que estava errado”. Quando foi a última vez que disse a um colega: “Estraguei tudo; estava errado”

p>h. Tenho a paciência de Job? Na igreja, conseguir fazer as coisas leva sempre mais tempo do que se pensa. Há sempre mais uma comissão ou outra assembleia da congregação onde a proposta que faz tem de ser apresentada. Pode tratar do processo de “apressar e esperar” típico da vida da igreja?

3. Como estabelecer medidas preventivas (1 Cor 10.12, 13)

De acordo com o psicólogo e escritor Archibald Hart, os líderes devem evitar cometer os erros que minam a sua capacidade de liderança.

a. Prestação de contas. Geralmente, as pessoas caem porque optaram por ir sozinhas. A prestação de contas a alguém exige que cada líder tenha uma reunião regular com uma direcção ou grupo de outros líderes como ele para partilhar sentimentos, revelar tentações, e identificar áreas problemáticas tanto no crescimento pessoal como espiritual.

b. Prestação de contas. O líder saudável deve aprender a equilibrar as exigências da liderança da igreja com as exigências da vida familiar e pessoal.

c. Integridade. Primeiro é o aspecto de como usamos o nosso poder. Partilhamos o poder? Usamo-lo de uma forma compassiva? O uso do nosso poder é motivado unicamente pelo ego? Depois do poder vem o aspecto da honestidade. A verdadeira integridade requer não só rectidão nas finanças, mas também justiça na aplicação da autoridade, mansidão na forma como agimos, e compaixão na forma como obtemos e utilizamos a informação confidencial.

4. Conduzindo uma auditoria espiritual (2 Cor 13:5; Sl 26:2)

p>Once, o presidente de uma grande firma fez-me esta confissão: “Tenho um banqueiro que me mantém solvente, um advogado que me mantém dentro da lei, e um médico que me mantém saudável, mas não tenho ninguém que me ajude a avaliar a minha condição espiritual”. Nunca tinha pensado em nada como uma “auditoria espiritual”. Desde então, faço regularmente doze perguntas a mim próprio:

a. Estou satisfeito com a pessoa em que me estou a tornar? Todos os dias estou a aproximar-me da pessoa em que eventualmente me tornarei. Estou satisfeito com quem serei?

p>b. Estou a tornar-me menos religioso e mais espiritual? Os fariseus eram religiosos; Cristo é espiritual. Após anos de participação na religião organizada, sinto frequentemente a superficialidade dessa experiência, a restritividade das suas regras e a fome de algo verdadeiramente espiritual numa relação com Cristo.

c. A minha família reconhece a autenticidade da minha espiritualidade? A minha família vê-me de uma forma total. Se eu estiver a crescer espiritualmente, a minha família reconhecê-lo-á.

d. Tenho a filosofia do “fluxo”? As Escrituras dizem: “Aquele que acredita em mim, como diz a Escritura, do seu ventre correrão rios de água viva”. A frescura está no fluxo. Se fui abençoado com liderança, essa bênção deve fluir da minha vida.

f. Será que tenho um centro imóvel na minha vida? Cada cristão deve ter um centro de tranquilidade sem perturbações. François Fenelon disse: “A paz é o que Deus quer de vós, não importa o que esteja a acontecer”

g. Defini o meu ministério? Sei o que posso fazer eficazmente? A necessidade é sempre maior do que aquilo que qualquer pessoa pode fazer para a satisfazer; portanto, a minha vocação é simplesmente lidar com a parte da necessidade que é minha de satisfazer.

h. As minhas orações estão a melhorar a minha vida? Não posso avaliar se sou um “homem de oração”, mas posso perceber o progresso se o vir na minha vida. Para isso, é bom perguntar: “As minhas decisões incluem a oração como parte integrante delas?”

i. Tenho mantido um respeito reverencial genuíno por Deus? Respeito reverencial inspirador; inspira a adoração”

j. A minha humildade é genuína? Nada é tão arrogante como a falsa humildade. Eis duas definições de humildade que me agradam: “Humildade é aceitar a nossa força com gratidão”, e “Humildade não é negar o poder que temos, mas admitir que o poder vem através de nós, não de nós”

k. O meu alimento espiritual está certo para mim? Deixei de chamar ao meu tempo de leitura “devocional”. Agora chamo-lhe “tempo de alimentação”, porque é quando a minha alma é alimentada.

l. Em assuntos de pequena importância a minha obediência está integrada com os meus reflexos? Tento negociar com Deus ou racionalizar com Ele? A obediência determina em grande medida a nossa relação com Cristo após o novo nascimento.

m. Será que tenho alegria? Prometem-me que terei alegria. Se a relação com Cristo estiver certa, tê-la-ei.

5. Carácter em tempos difíceis (Ef 5.11-14)

Em tempos de crise, poucas pessoas podem apelar ao seu carácter quando este não foi reforçado camada por camada durante o resto das suas vidas. O que é que forma o carácter, cimentado durante os anos de abundância, que se manifesta durante os anos de escassez?

a. Transparência.

A capacidade de aceitar críticas ou de absorver opiniões negativas não só ajuda a evitar situações delicadas, mas também a fechar o fosso causado por erros.

Apenas a pessoa com algo a esconder é descoberta; apenas alguém com um segredo é exposto. As pessoas que enterram os seus erros descobrem frequentemente que elas próprias mais tarde acabam enterradas, deixadas sujas, a cheirar a mofo, e enterradas em mentiras. Paulo escreveu aos Efésios: “E não tenhais comunhão com as obras infrutíferas das trevas, mas repreendei-as; … mas todas as coisas, quando se manifestam pela luz, se manifestam; pois é a luz que tudo manifesta” (Ef 5,11.13.14). Essa característica de carácter, praticada em bons tempos, torna-se ainda mais valiosa em tempos de dificuldade.

b. Discernimento.

A sabedoria de saber quando lutar e quando largar, o discernimento para compreender o que é verdadeiramente importante e o que podemos contornar, pode ajudar os líderes a evitar erros ou a ultrapassar os cometidos.

c. Honestidade.

Honestidade continua a ser a melhor política. O que não for esclarecido através de declarações directas será eventualmente disperso (e provavelmente distorcido) através dos canais de boatos da igreja.

d. Integridade.

Alternativas erradas abundam no rescaldo de um erro: encobrimentos, acusações, fugas rápidas. No entanto, depois do nosso erro chega a altura em que devemos estar totalmente de pé. É por isso que temos de ter estes traços de carácter carimbados nas nossas almas antes de ocorrer a catástrofe. A pessoa que faz da integridade um hábito será capaz de responder com acções justas mesmo quando tudo está a desmoronar-se.

6. Quando ninguém observa (Dan 1.8)

Deus levanta um trabalhador, e depois utiliza-o para fazer um trabalho. Não importa que tipo de ministério Deus nos dê, nunca poderemos dar aos outros aquilo que nós próprios não temos. Ignorar o carácter é abandonar a fundação do ministério.

Isto explica porque é que Deus passa tanto tempo com os Seus servos. Ele levou 13 anos a preparar José para se tornar o segundo no comando no Egipto. Investiu 80 anos na preparação de Moisés. Até mesmo o sábio Saulo de Tarso teve de passar três anos a estudar na Arábia antes de Deus o ter lançado como o apóstolo Paulo. As biografias e autobiografias de grandes homens e mulheres cristãos revelam que Deus primeiro forma o carácter cristão nos Seus servos, e depois constrói um ministério através deles.

Sem carácter, o ministério é apenas uma actividade religiosa ou, pior ainda, um negócio religioso. Os fariseus chamavam-lhe o que faziam ao ministério, mas Jesus chamou-lhe hipocrisia. Ele sabia que os fariseus estavam mais preocupados com a sua reputação do que com o seu carácter, que se preocupavam mais com os elogios dos homens do que com a aprovação de Deus.

p>Once, alguém perguntou ao financiador J.P. Morgan qual era a melhor garantia que um cliente lhe podia dar. A resposta de Morgan foi: “Personagem”

Isso faz-me lembrar outro Morgan: G. Campbell Morgan estava a caminhar com D.L. Moody em Northfield, quando de repente, Moody perguntou-lhe: “O que é então a personagem?”

Morgan sabia que o evangelista queria responder à sua própria pergunta, por isso esperou. “Personagem”, disse Moody, “é o que um homem é no escuro”

Quando ao famoso pregador inglês Charles Spurgeon foi dito que alguém queria escrever um livro sobre a sua vida, ele respondeu: “Podes escrever a minha história no céu, não tenho nada a esconder”

Talvez a palavra-chave seja integridade. Jesus avisou-nos que não podemos servir dois senhores, e Tiago corroborou isto quando escreveu: “O homem de mente dupla é inconstante em todos os seus modos” (1.8). O oposto de integridade é a duplicidade: “A voz é a voz de Jacob, mas as mãos são as mãos de Esaú” (Gen 27:22b). Ninguém pode ministrar e fingir com sucesso ao mesmo tempo, pelo menos não por muito tempo. Não há reputação suficientemente grande para substituir o carácter.

7. Carácter antiquado (1 Tim 4.15, 16)

O nosso objectivo na terra é crescer à semelhança de Cristo, que se deu a si mesmo pelos outros. Eis seis maneiras de continuar a crescer como pessoa:

a. Foco no desenvolvimento pessoal, não na realização pessoal. A diferença está no motivo. A realização pessoal significa fazer o que eu mais gosto e que receberei o máximo de pontos possíveis por fazê-lo. O auto-desenvolvimento significa fazer algo de acordo com os talentos que tenho e para os quais sou unicamente qualificado, e isso torna-se a minha responsabilidade. A auto-realização pensa em como algo me serve. O desenvolvimento pessoal pensa em como algo me ajuda a servir os outros.

b. Crescer através de relações. Nem sempre é confortável, mas é benéfico relacionar-se com pessoas maiores do que você. É necessário agendar relações que o mantenham em crescimento.

c. Adoptar um credo pessoal. Há alguns anos atrás estava a ler pesquisas sobre como as corporações tinham adoptado credos. Foi surpreendente como estas organizações se tinham tornado muito mais rentáveis, progressivas e estáveis, em comparação com outras que operavam sem um credo estabelecido.

Um credo é pessoal e varia de pessoa para pessoa (e de grupo para grupo). O meu credo também explica em pormenor o que não vou fazer. Há vários anos escrevi: “Não sacrificarei estas coisas em nome do sucesso comercial: (1) auto-respeito, (2) saúde, (3) família, e (4) a minha relação com Deus”

d. Forme em si mesmo o hábito da aprendizagem contínua. Uma pessoa que aprende continuamente não o faz para ser considerada brilhante; isto é, regressar pouco a pouco à auto-realização.

Uma pessoa que aprende continuamente não deixa passar nada sem o ter absorvido.

e. Guia-te pelos tópicos que te interessam. Dou prioridade aos temas que me interessam. Se tenho a oportunidade de ir a duas ou três reuniões diferentes, escolho a que é mais importante para mim. Conhecer os nossos temas de interesse é uma forma saudável de canalizar a nossa energia.

f. Mude a sua atitude de um de dever para um de deleite. Muitas pessoas abordam o desenvolvimento pessoal como algo que devem fazer, quer queiram ou não. Não o fazer fá-los sentir-se culpados. O segredo para sempre crescer é deixar de ver o desenvolvimento pessoal como um fardo, e começar a vê-lo como uma alegria: o de cumprir a responsabilidade, o do caminho que vale a pena percorrer.

Este artigo foi adaptado do Leadership Development Handbook, Christian Development International.

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