As pequenas e médias sociedades de advogados sem medo da crise

Há ano e meio decidimos empreender um processo de expansão para nos tornarmos uma firma global”. O discurso de Isabel Dutilh, sócia gerente da Dutilh Abogados, tem a peculiaridade de ser enquadrado numa altura em que muitos escritórios de advogados – especialmente os mais pequenos – estão a sofrer os efeitos da crise no seu volume de negócios e contas de clientes. Longe de retirar as suas forças, Dutilh optou pela ofensiva como uma estratégia para ganhar terreno. A firma, com 44 advogados, cresceu 57% no último exercício financeiro de 2008.

“Começámos por reorganizar com a ajuda de consultores, uma revisão de toda a equipa e a concepção de um plano de carreira como primeiro passo para preparar o crescimento”, diz Isabel Dutilh. Este crescimento tem sido baseado na criação de novas áreas e no reforço de outras: e s o caso de Laboral, com a plena integração de Bufete Caldevilla; Procedural, com a assinatura de Juan Carlos Jiménez-Mancha, antigo parceiro local de Baker & McKenzie; Financeiro, com a incorporação como sócio de Teodoro de Agustín, vindo de Gómez-Acebo & Pombo ou Concurso, com José Ayllón Castro, que veio de Howrey Martínez Lage-. “Neste momento há pessoas muito preparadas de grandes empresas que vieram connosco”, explica Isabel Dutilh.

As desigualdades estão a crescer

É difícil crescer neste momento sem ser um gigante legal? “Há empresas que não estão a ser particularmente atingidas, porque se dedicam à área da insolvência, por exemplo. Mas, em geral, a crise afecta todos, porque afecta os nossos clientes”, diz Rafael García Moreno, sócio fundador da sociedade de advogados Calderón-García Moreno, que faz parte da rede Hispajuris e tem dez advogados. De acordo com García Moreno, que reconhece que fazer parte de uma rede é uma garantia de trabalho em vários sectores, os escritórios que tinham como principais clientes as empresas de construção “estão a passar um mau bocado”, enquanto há outros que confiam no igual. “

Para John Gustafson, sócio gerente da sociedade de advogados Rivero & Gustafson advogados, que obteve um crescimento de 22% em 2008, a chave do sucesso de uma sociedade de advogados média ou pequena está na flexibilidade. “Áreas como o capital privado desceram muito, mas outras, como a insolvência e a mão-de-obra, subiram. E as empresas mais pequenas têm mais flexibilidade para se adaptarem do que as muito grandes. Além disso, oferecemos tratamento personalizado e competimos no preço”, conclui.

“Numa altura em que o volume de negócios dos serviços jurídicos diminuiu 30%, se formos sozinhos e não tivermos a capacidade de nos adaptarmos, vamos passar um mau bocado”. É assim que Fernando Escura, presidente da rede Hispajuris, que no último exercício financeiro facturou 40 milhões de euros, mais cinco do que no anterior. “As empresas estão a reduzir os seus serviços jurídicos e estão à procura de aconselhamento global. A nossa rede permite-nos estar em duas frentes – local e global – e isso está a favorecer-nos”, diz Escura. Para o presidente da Hispajuris, três modelos de escritórios de advogados emergirão da actual situação económica para o futuro. “As pequenas e médias empresas só têm uma possibilidade: a qualidade. Na minha opinião, os modelos que serão mantidos nos próximos anos são a grande firma nacional, a firma multidisciplinar local altamente capaz integrada numa rede global e a boutique jurídica altamente especializada”

Para Francesc Dominguez, sócio da firma de consultoria Domínguez & Guiu, a estratégia a seguir neste momento é através da cooperação. “O advogado espanhol tem uma mentalidade muito distante do empresário, não está consciente da importância de juntar esforços e criar estruturas”. Segundo Domínguez, “neste momento, o que me perguntam frequentemente é se é bom especializar-se em não-pagamentos e o que eu respondo é que fazê-lo é como agarrar à palha. Isso não é uma estratégia”, diz ele. Na sua opinião, a indústria não está preparada para responder às objecções dos clientes, “que estão a pressionar para baixar os preços e estão a ter sucesso”

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